Os comentários na mídia em geral sobre a questão fiscal no país, para ser resolvida no segundo man- dado do governo de coalizão de Lula, são os de que a solução é simples. Basta reduzir os gastos correntes de custeio da máquina pública para so- brar mais recursos aos investimentos. Nada mais do que isso. O país, dessa forma, sairia da crise. Uma unani- midade que faz lembrar Nelson Rodrigues, para quem toda unanimi- dade é burra. Não seria tal simpli- cidade mera aparência?
Que a mídia, seja ela impressa, radiofônica, televisiva, virtual, nun- ca foi de dizer a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade, não é nenhuma novidade. Mas o que quase ninguém parou pra pensar é se somos mesmo enganados todo o tem- po, e até que ponto este engodo acontece.
Esclarecedor artigo sobre as ONGs, em que se diz, entre outras coisas, que "a pulverização de atendimento das ONGs adquire um potencial des- mobilizador de reivindicações das clas- ses populares. Subjacente ao caráter privado atribuído às ONGs, a ideologia libera o Estado de seu suposto papel político: responder pela coisa pública, assegurar o bem-estar dos cidadãos e garantir a liberdade e a busca da felicidade".