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INTRODUÇÃO
A
relação entre jornalismo e decisões econômicas é uma questão que precisa ser investigada. Afinal, que relação existe entre informações jornalísticas e o processo decisório econômico? Que
relação existe entre informações jornalísticas e os agentes
econômicos? As perguntas são pertinentes pois colocam para o
jornalismo a questão de uma utilidade real que possa ter para sua
audiência ou pelo menos para determinadas frações
dela.
Pretende-se, neste trabalho, num sentido exploratório,
e ao mesmo tempo introdutório, expor um plano explicativo sobre a
relação “jornalismo e decisões econômicas” adequado ao ambiente
econômico competitivo que atualmente se forma no
país.
O jornalismo aqui tratado, para nossos fins, é produzido por qualquer
editoria que difunda informações que possam ter alguma relação com o
mundo dos negócios, divulgadas por meios impressos e eletrônicos.
Portanto, embora a análise fixe-se em decisões econômicas, pode-se
estendê-la a outras áreas do jornalismo, que não o exclusivamente
econômico.
Parte-se da premissa de que numa economia de alta
competição o jornalismo é um instrumento poderoso, uma vez que é
necessário conhecimento do ambiente onde os negócios são praticados
e das ações dos agentes envolvidos. Para isso, a informação pode ser
privada ou pública – esse segundo tipo é o caso do
jornalismo.
Um novo enfoque do papel do jornalismo é proposto no
desenvolvimento de negócios cuja base é a competição e também
ampliação de interesses econômicos. Neste contexto, o presente
trabalho pretende contribuir para o entendimento do papel do
jornalismo como uma das fontes de informação que interage no
ambiente de negócios.
DECISÕES E
JORNALISMO
Tipos de
Informação
Decidir economicamente é praticar uma ação econômica
racional no presente que terá conseqüência, um resultado, no futuro,
procurando otimizar uma relação aparentemente simples, mas que na
verdade é complexa – a relação custo/benefício. Observe-se que a
importância da tomada de decisão está no futuro. Para chegar à
decisão os agentes econômicos[i] processam
informações já conhecidas e procuram informações desconhecidas, das
formas mais diversas, a fim de minimizar o
risco.
As informações que têm valor na
tomada de decisão são de vários tipos, e se dividem em dois grandes
grupos: informações conhecidas e informações desconhecidas. As
informações conhecidas podem ser divididas em dois subgrupos:
informações documentadas e informações não documentadas. Informações
documentadas são aquelas que o agente econômico pode ter acesso,
como as difundidas pelo jornalismo.
Informações não documentadas são sínteses do somatório
de experiências individuais (como experiências: pessoal,
profissional, acadêmica e outras; mas uma fração deste somatório
também é constituído de informações difundidas pelo jornalismo).
Todas estas experiências estão registradas no agente econômico na
forma de informações assimiladas. Informações não documentadas
significam o que o agente econômico já conhece pelo acumulo de
experiências. Deve-se levar em conta, também, a intuição, uma
capacidade pessoal de percepção de realidades.
Note-se, assim, que as informações difundidas pelo
jornalismo fazem parte dos dois subgrupos que formam o grupo das
informações conhecidas, informações documentadas e informações não
documentadas.
Pelo processo de “acesso – absorção” das informações,
existe o efeito de transformação das informações documentadas em não
documentadas. Estas informações, documentadas e não documentadas,
são resultado de determinada dinâmica que representa a vida do
agente econômico, tendo como patamar o tempo, num processo contínuo
de obtenção de informações. Por exemplo, num problema de decisão, um
agente econômico pode decidir com base em informações obtidas há um
ano combinadas com informações obtidas há um dia e também há uma
hora. As informações documentadas e não documentadas possibilitam a
formação de uma compreensão de determinadas
realidades.
Neste ponto, tem-se a informação – um composto, um
somatório, de n
informações, sendo que uma fração é constituída pelas informações
difundidas pelo jornalismo. O papel da informação no problema de
decisão é minimizar o risco econômico de forma a maximizar
benefícios econômicos.
Aqui alguém poderá contrapor – com pertinência – e
apontando para o caso de uma decisão onde somente o agente econômico
está envolvido, que nem sempre existe aí o princípio da
racionalidade econômica. De fato, isso deve ser levado em conta, e
por isso cabe uma observação fundamental sobre o processo decisório
da ação individual: as pessoas tomam decisões baseadas em n fatores, compreendidos nos
níveis da objetividade e subjetividade.
Uma forma racional de decidir é, antes, possuir
informações sobre o problema de decisão, o que minimiza o risco,
procurando maximizar benefícios econômicos, mas a finalização de uma
decisão, em si, é subjetiva.
Não se pode garantir, por exemplo, que dois agentes
econômicos, diante de uma mesma situação e possuindo as mesmas
informações, tomem igual decisão. A explicação para isso é que a
expectativa racional não é um critério que pode ser atribuído
igualmente para todos os agentes econômicos. Ou seja, é falsa a
suposição de que existe um mesmo critério de racionalidade para
todos, no processo decisório, do tipo, por exemplo, o ganho máximo.
Assim, nem sempre o critério do "ganho máximo", um critério racional
por definição, é aceito e praticado igualmente por todos. Numa
decisão, alguém poderá preferir "ganhar menos" em troca de um outro
fator que a beneficie.
Deve-se compreender, porém, que a economia capitalista
funciona com base em coerções, sendo que a principal é a econômica.
Pela hegemonia da coerção econômica os agentes econômicos sofrem
determinações que os levam a buscar o "ganho máximo", o que
significa uma pressão no sentido de praticar racionalmente uma
decisão econômica. Como resultado, a vontade individual, ou seja, a
subjetividade, é subordinada aos mecanismos da economia capitalista.
Ao mesmo tempo, em outros agentes econômicos, como uma empresa, a
racionalidade econômica está estabelecida, já que o capital – e
qualquer tipo de capital – por si só é um resultado da ação
econômica racional.
A
sociologia Weberiana e Marxista trata bem esta questão e foge ao
escopo deste trabalho maior abordagem neste sentido. Basta dizer que
num ambiente econômico competitivo – e cuja tendência é ser cada vez
mais competitivo – não há lugar para a irracionalidade econômica.
Neste ambiente, a racionalidade econômica torna-se, simplesmente, o
fundamento de ação de qualquer agente econômico. Isso porque
ambiente econômico competitivo é um ambiente de negócios, onde cada
decisão torna-se um negócio. Aqui, o mercado torna-se, de fato, o
substrato de uma diversidade de negócios – negócios competitivos –
amalgamando os agentes econômicos no jogo econômico. Neste cenário,
o jornalismo tem o seu papel, servindo como ferramenta ao processo
decisório.[ii]
