Jornalismo e ambiente econômico competitivo
 
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Jornalismo e ambiente econômico competitivo
Hélio A. Schuch
Professor do Curso de Jornalismo da UFSC


       INTRODUÇÃO
       A relação entre jornalismo e decisões econômicas é uma questão que precisa ser investigada. Afinal, que relação existe entre informações jornalísticas e o processo decisório econômico? Que relação existe entre informações jornalísticas e os agentes econômicos? As perguntas são pertinentes pois colocam para o jornalismo a questão de uma utilidade real que possa ter para sua audiência ou pelo menos para determinadas frações dela.
       Pretende-se, neste trabalho, num sentido exploratório, e ao mesmo tempo introdutório, expor um plano explicativo sobre a relação “jornalismo e decisões econômicas” adequado ao ambiente econômico competitivo que atualmente se forma no país.
       O jornalismo aqui tratado, para nossos fins, é produzido por qualquer editoria que difunda informações que possam ter alguma relação com o mundo dos negócios, divulgadas por meios impressos e eletrônicos. Portanto, embora a análise fixe-se em decisões econômicas, pode-se estendê-la a outras áreas do jornalismo, que não o exclusivamente econômico.
       Parte-se da premissa de que numa economia de alta competição o jornalismo é um instrumento poderoso, uma vez que é necessário conhecimento do ambiente onde os negócios são praticados e das ações dos agentes envolvidos. Para isso, a informação pode ser privada ou pública – esse segundo tipo é o caso do jornalismo.
       Um novo enfoque do papel do jornalismo é proposto no desenvolvimento de negócios cuja base é a competição e também ampliação de interesses econômicos. Neste contexto, o presente trabalho pretende contribuir para o entendimento do papel do jornalismo como uma das fontes de informação que interage no ambiente de negócios.

       DECISÕES E JORNALISMO
       Tipos de Informação
       Decidir economicamente é praticar uma ação econômica racional no presente que terá conseqüência, um resultado, no futuro, procurando otimizar uma relação aparentemente simples, mas que na verdade é complexa – a relação custo/benefício. Observe-se que a importância da tomada de decisão está no futuro. Para chegar à decisão os agentes econômicos[i] processam informações já conhecidas e procuram informações desconhecidas, das formas mais diversas, a fim de minimizar o risco.
       As informações que têm valor na tomada de decisão são de vários tipos, e se dividem em dois grandes grupos: informações conhecidas e informações desconhecidas. As informações conhecidas podem ser divididas em dois subgrupos: informações documentadas e informações não documentadas. Informações documentadas são aquelas que o agente econômico pode ter acesso, como as difundidas pelo jornalismo.
       Informações não documentadas são sínteses do somatório de experiências individuais (como experiências: pessoal, profissional, acadêmica e outras; mas uma fração deste somatório também é constituído de informações difundidas pelo jornalismo). Todas estas experiências estão registradas no agente econômico na forma de informações assimiladas. Informações não documentadas significam o que o agente econômico já conhece pelo acumulo de experiências. Deve-se levar em conta, também, a intuição, uma capacidade pessoal de percepção de realidades.
       Note-se, assim, que as informações difundidas pelo jornalismo fazem parte dos dois subgrupos que formam o grupo das informações conhecidas, informações documentadas e informações não documentadas.
       Pelo processo de “acesso – absorção” das informações, existe o efeito de transformação das informações documentadas em não documentadas. Estas informações, documentadas e não documentadas, são resultado de determinada dinâmica que representa a vida do agente econômico, tendo como patamar o tempo, num processo contínuo de obtenção de informações. Por exemplo, num problema de decisão, um agente econômico pode decidir com base em informações obtidas há um ano combinadas com informações obtidas há um dia e também há uma hora. As informações documentadas e não documentadas possibilitam a formação de uma compreensão de determinadas realidades.
       Neste ponto, tem-se a informação – um composto, um somatório, de n informações, sendo que uma fração é constituída pelas informações difundidas pelo jornalismo. O papel da informação no problema de decisão é minimizar o risco econômico de forma a maximizar benefícios econômicos.
       Aqui alguém poderá contrapor – com pertinência – e apontando para o caso de uma decisão onde somente o agente econômico está envolvido, que nem sempre existe aí o princípio da racionalidade econômica. De fato, isso deve ser levado em conta, e por isso cabe uma observação fundamental sobre o processo decisório da ação individual: as pessoas tomam decisões baseadas em n fatores, compreendidos nos níveis da objetividade e subjetividade.
       Uma forma racional de decidir é, antes, possuir informações sobre o problema de decisão, o que minimiza o risco, procurando maximizar benefícios econômicos, mas a finalização de uma decisão, em si, é subjetiva.
       Não se pode garantir, por exemplo, que dois agentes econômicos, diante de uma mesma situação e possuindo as mesmas informações, tomem igual decisão. A explicação para isso é que a expectativa racional não é um critério que pode ser atribuído igualmente para todos os agentes econômicos. Ou seja, é falsa a suposição de que existe um mesmo critério de racionalidade para todos, no processo decisório, do tipo, por exemplo, o ganho máximo. Assim, nem sempre o critério do "ganho máximo", um critério racional por definição, é aceito e praticado igualmente por todos. Numa decisão, alguém poderá preferir "ganhar menos" em troca de um outro fator que a beneficie.
       Deve-se compreender, porém, que a economia capitalista funciona com base em coerções, sendo que a principal é a econômica. Pela hegemonia da coerção econômica os agentes econômicos sofrem determinações que os levam a buscar o "ganho máximo", o que significa uma pressão no sentido de praticar racionalmente uma decisão econômica. Como resultado, a vontade individual, ou seja, a subjetividade, é subordinada aos mecanismos da economia capitalista. Ao mesmo tempo, em outros agentes econômicos, como uma empresa, a racionalidade econômica está estabelecida, já que o capital – e qualquer tipo de capital – por si só é um resultado da ação econômica racional.
       A sociologia Weberiana e Marxista trata bem esta questão e foge ao escopo deste trabalho maior abordagem neste sentido. Basta dizer que num ambiente econômico competitivo – e cuja tendência é ser cada vez mais competitivo – não há lugar para a irracionalidade econômica. Neste ambiente, a racionalidade econômica torna-se, simplesmente, o fundamento de ação de qualquer agente econômico. Isso porque ambiente econômico competitivo é um ambiente de negócios, onde cada decisão torna-se um negócio. Aqui, o mercado torna-se, de fato, o substrato de uma diversidade de negócios – negócios competitivos – amalgamando os agentes econômicos no jogo econômico. Neste cenário, o jornalismo tem o seu papel, servindo como ferramenta ao processo decisório.[ii]

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